segunda-feira, 18 de maio de 2015

De leitor oblíquo a pintor oblíquo?

A febre acerca dos (e o marketing sobre)  livros de pintura para adultos tem possibilitado uma reflexão pertinente. O leitor oblíquo, já saturado de informações passará a ser um pintor oblíquo, ansioso pela vida sem estresse? A provocação é boa e merece nossa atenção, se quisermos comparar hábitos de leitura (em quantidade de horas) e de que forma os ambientes educativos podem contribuir para ampliar números nem sempre animadores, é necessário ler um pouco mais sobre o assunto. Recomendo maior reflexão.

Matéria sobre leitura na contemporaneidade com índices acerca da leitura em livros físicos e virtuais. Números sobre best-sellers e sobre livros de pintar para adultos.

Vídeo sobre leitura produzido por alunos do 2º Ciclo

domingo, 17 de maio de 2015

Santaella destaca a importância da leitura


A professora Lúcia Santaella (PUC-SP) proferiu em Maceió, no 6º Seminário Nacional da EDAPICI, no último dia 13 de maio de 2015, a conferência "Educação digital na contemporaneidade", com mediação da professora e jornalista Rossana Gaia (IFAL). No evento, a pesquisadora destacou a importância da leitura e salientou que o leitor contemplativo continua sendo essencial para avançarmos. "Estamos na quinta fase do mundo digital e o virtual hoje é inseparável do nosso corpo, por conta das tecnologias de toque", destacou.
Para Santaella os afetos continuam sendo parte essencial das práticas cognitivas e a educação é "a única saída para a barbárie", considerando os dados atuais com os quais tem trabalhado, pois indicam o número de 46% dos estudantes que saem das universidades brasileiras como analfabetos digitais. Nesse sentido, destacou que os professores são fundamentais para ampliar os repertórios dos estudantes, já que aprendizagem implica memória e sistematização.
Ao retomar a categoria leitor, destacou a importância de ter sido estimulada por um ex-aluno, Cleumar Rocha, no sentido de pensar um novo tipo de leitor além dos leitores: 1.contemplativo (consegue ler além de duas páginas e de forma concentrada), 2.movente (treinado nas distrações apresenta memória curta, insuficiente no processo educativo) e 3.imersivo (está no mundo digital e tem acesso a todas as informações que necessitar, no entanto carece de repertório). A reflexão sobre o leitor oblíquo, que resultou em livro, indica um perfil de sujeito inserido na cultura e na arte do pós-humano, momento atual em que o professor já não é mais o centro da informação, mas continua sendo de alta relevância por indicar estratégias e pistas essenciais ao aluno. A aprendizagem oblíqua apresenta as seguintes características: ocasional, contingente, dispersiva, curta memorização, fragmentada, não sistematizada.
O grande desafio dos educadores neste momento, segundo a professora é entender que não existem receitas, aceitar o desafio de saber que não há educação sem continuidade e que a nossa época requer trabalhos compartilhados.

Para conhecer um pouco mais as reflexões da autora, o blog sugere as seguintes leituras:

1.Da cultura das mídias à cibercultura (2003)
2. Resenha de Fernando Paes sobre o livro Cultura das Mídias
3.Entrevista sobre mídias
4.Pós-humano por quê? (2007)
5. Cultura em deslocamento (s.d.)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Revista Carta na Escola

A revista Carta na Escola produziu matéria que propõe debate acerca do plágio na atividade acadêmica. Leia a matéria parcialmente liberada na rede, já disponível nas bancas. O blog Anti-Plágio é citado como referência, ao lado do blog http://evitandoplagio.blogspot.com.br/ do professor Marcelo Krokoscz. A matéria assinada por Thaís Paiva indica ainda a leitura do livro Plágio:Palavras escondidas, liberado parcialmente no Google Books. Saiba mais sobre plágio. Leia na íntegra a entrevista concedida para a repórter, em 27 de março de 2015.

Primeiramente, o que caracteriza o plágio dentro do ambiente escolar, levando em consideração que o aluno precisa recorrer à referências, pesquisas e, muitas vezes, acaba parafraseando os conteúdos que encontra?
 Rossana Gaia: O plágio ocorre sempre que o estudante (em qualquer nível de ensino) copia um trabalho (parcial ou integralmente) e indica como sendo da sua autoria, sem indicação expressa do uso das aspas (no caso da citação literal) ou sem a indicação do autor e do ano de edição usado (quando realiza uma citação indireta). A paráfrase não é proibida, muito pelo contrário: refletir a partir de outros autores é a premissa básica da ciência, pois avançamos a partir dos que já pensaram anteriormente sobre os problemas que estudamos. Para que o estudante realize essa atividade é fundamental que tenha orientação do professor sobre os tipos de citação direta e indireta que pode realizar e de que modo essa escrita é realizada. Defendo que esse conhecimento seja difundido com alunos desde as turmas do ensino fundamental e médio, pois naturalizou-se encontrarmos os alunos no curso superior utilizando a estratégia copiar e colar como sinônimo de pesquisa. Ora, isto é plágio. Pesquisa requer reflexão sobre o que se leu.
 Em seu trabalho, a senhora aponta que a escrita criativa, sem cópia, exige um processo de aprendizagem sobre conceitos de fontes. O que seria isso?
 Rossana Gaia: O aprendizado sobre a escrita científica não é algo automático. O conhecimento da língua portuguesa é algo que colabora nesse processo. O uso de distintos verbos dicendi, por exemplo, torna a escrita científica elegante e ágil, além de convocar a fonte de referência que precisa ser indicada. Ao indicar uma leitura realizada, pode-se informar o leitor de distintas formas: Conforme registra; Segundo indica, etc. Além disso o aluno pode convocar os autores lidos com expressões como: De acordo com o autor, entende-se que... Conforme verifica-se na pesquisa deste autor, pode-se concluir que... etc. Fontes ou referências são todas as informações que coletamos ao longo de uma pesquisa. Podem ser físicas (livros, jornais, revistas, DVD, CD, etc.) ou virtuais. O fundamental é que estejam em sites confiáveis (instituições de ensino são referências importantes, além de bases para pesquisadores como Scielo). Leva-se um tempo para entender como fazer esse registro adequadamente, conforme as normas em vigor. No Brasil usamos as indicações previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O papel dos professores é fundamental nesse processo. Pode parecer difícil quando o aluno começa a utilizar, mas depois que se aprende, é para a vida inteira.
 Podemos dizer que a disseminação da internet e dos dispositivos digitais contribuiu, de certa forma, para o aumento de casos de plágio na escola? Em outras palavras, a comunicação digital facilita essa má-conduta dos estudantes?
Rossana Gaia: Não sou contra a Internet, pois a grande maioria dos pesquisadores sérios que conheço a utilizam como ferramenta democrática para difundir informações científicas, resultados de pesquisas, etc. Minha pesquisa de mestrado na UFPB foi sobre práticas educomunicativas, quando a Internet ainda estava na sua fase preliminar no Brasil, mas já indicava um grande potencial para o ensino. Quem não faz a citação da fonte, plagia. Isso ocorre desde a época em que usávamos apenas livros e enciclopédias, portanto não é um fenômeno meramente virtual, mas vincula-se a um modo de perceber e respeitar a escrita do outro que me antecede no campo de pesquisa. A internet apenas facilita quem tem uma má conduta, pois ao invés de precisar escrever, simplesmente usa as teclas ctrl+c e ctrl+v. O uso dessas teclas assume uma ação coerente quando eu ensinei ao aluno que o texto copiado, se for integral, deve estar com aspas e, se tiver uma paráfrase, deve indicar o autor lido. É simples e fácil, mas exige um aprendizado prévio e respeito pelo conhecimento universal.
 Quais são algumas estratégias que os professores podem adotar em sala de aula com a finalidade de diminuir o índice de plágios e, consequentemente, aumentar o engajamento, autoria do aluno em seus trabalhos escolares?
Rossana Gaia: Cada professor deve encontrar os meios possíveis no seu local de trabalho para estimular práticas de reflexão interessantes e que estimulem processos criativos de escrita e de leitura. No meu caso específico, elaborei um projeto de pesquisa científica, contei com apoio do CNPq (de 2011 a 2012) e da instituição na qual atuo para elaborar um blog que denominei Anti-Plágio <http://blogantiplagio.blogspot.com.br/>. O nome da primeira etapa deste projeto, de 2009 a 2010, foi "Predadores da Razão" e nele programei atividades diversas como elaborar palestras, aulas e outras atividades nas quais difundi o assunto com meus alunos e com estudantes de outras instituições para as quais era convidada a debater a questão. O blog atualmente é mantido por mim, sem colaboradores, no meu tempo livre. Suas atualizações em geral ocorrem a partir de demandas dos alunos, dúvidas que possuem e que procuro colaborar. Em geral, indico e comento textos ou filmes disponíveis na Internet. Outra estratégia possível para fomentar a criticidade é a criação de Clube de Leitura, pois estimula a curiosidade dos alunos. Além disso, convidar professores que já escreveram livros e que podem compartilhar com os estudantes as etapas de pesquisa e a forma de escrita, pode ser uma ótima forma de compartilhar a relevância dos trabalhos acadêmicos.  Um dos últimos posts que fiz foi de um vídeo realizado em 2014 por uma turma do Ensino Médio sobre o conceito de plágio e suas implicações. Há professores que são muito criativos e os alunos quando estimulados produzem materiais muito interessantes.
 Qual deve ser a posição/atitude do professor ao verificar um caso de plágio?
Rossana Gaia: Considero o professor um profissional do diálogo. Sempre que for detectado um plágio, se já foi ensinado ao aluno o conceito e a forma correta de indicação da leitura realizada, é fundamental que o professor retome as questões e indique expressamente onde está o problema e ensine, novamente (e quantas vezes for necessário) a forma coerente da escrita científica. O professor deve ser paciente, mas firme. O plágio é uma má conduta, é tipificado como crime, pois lesa a autoria e o aluno deve ser informado sobre isso. 
 Qual sua opinião sobre softwares caça-plágio?
Rossana Gaia: Todas as ferramentas que colaboram para acelerar o tempo dos professores na revisão de trabalhos acadêmicos, são bem-vindas. O próprio Google já funciona como uma ferramenta anti-plágio, pois ao digitar parte do texto de alguém, se não for da sua autoria e estiver citado no espaço virtual, certamente a identificação será imediata. 
 Há algo mais que a senhora gostaria de acrescentar sobre o tema?
Rossana Gaia: Não cometer plágio é sinônimo de conhecimento das normas da escrita científica e de respeito à autoria alheia. Quem faz isso desde o Ensino Médio ou aprende bem na graduação, tende a ter uma potencial carreira como pesquisador mais adiante.  O plágio é um interdito na vida acadêmica e o respeito que obtemos dos nossos pares decorre do nosso esforço em contribuir para difusão do conhecimento acumulado e acrescentar dados que sejam resultados das nossas vivências e práticas. É importante que professores doutores circulem entre alunos mais jovens e compartilhem seus saberes científicos. Esse  intercâmbio, quando não envolve arrogância, contribui bastante para democratizar a ciência e torná-la mais acessível.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pequeno Manual para escrita de artigos

Escrever artigos científicos pode ser uma tarefa árdua para quem está iniciando a carreira acadêmica. Este Pequeno Manual tem por meta colaborar nesta etapa e esclarece dúvidas básicas sobre estrutura textual e questões gramaticais. Informar com objetividade é meta fundamental de qualquer cientista que pretenda ter suas comunicações entendidas pela coletividade.

Softwares anti-plágio

Confiram 13 opções de softwares capazes de identificar trechos copiados. Confiram a lista e pesquisem as melhores opções. O material está disponível no site sobre escrita científica da USP São Carlos.
Essas ferramentas colaboram também com alunos que pesquisam em ambientes nos quais há dúvidas sobre a autoria. Fazer as referências adequadamente com citações diretas ou indiretas é a melhor forma de garantir respeito aos que contribuem com a construção do conhecimento científico e garantir legitimidade às nossas produções.

domingo, 19 de abril de 2015

Informações para tod@s

Todos nós podemos acessar uma infinidade de informações a partir das nossas redes. Não deixem de ler este excelente artigo do prof. Nelson Pretto (UFBA): Gambiarras para tod@s . O texto provoca uma ótima reflexão sobre a produção textual no ambiente escolar. Aproveitamos para lembrar que no período de 7 a 8 de dezembro de 2015, agendem-se para participar do 6º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação, no campus da UFPE, em Recife. Entenda o conceito do hipertexto no vídeo sobre a  enunciação digital e construção de sentidos, em entrevista concedida em 2011, quando o prof. Pierre Levy esteve no evento.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Não copie: inspire-se!

Uma das razões para naturalizar-se o copiar e colar está na ausência de debate público nas escolas sobre o assunto. Clique neste vídeo que vai na contra-mão da banalidade e indica conselhos importantes para professores e alunos empenhados na construção de saberes legitimados e referenciados conforme as normas existentes. É preciso que professores recebam maior formação na área da escrita científica e não tenham sobrecarga de horas para garantir-se um ensino no qual o plágio seja parte do debate relevante nas escolas.